As demências são hoje em dia uma realidade direta ou indiretamente experimentada pela quase totalidade das famílias. A minha não escapou a isso, mas felizmente ou infelizmente foi de pouca dura!
A idade avançada traz consigo fragilidade e por consequência mais doença, tanto física como psíquica e só quando chega a hora é que nos apercebemos que estamos desamparados e limitados quando à sua solução.
A verdade é que a minha Tia faleceu neste Domingo passado (dia 28 Dezembro). Não estava sozinha, tinha a minha mãe e a sua afilhada a darem-lhe o chá, mas já não as reconhecia, nem falava, nem se mexia! Um autêntico corpo morto a respirar =/ Muitas vezes esta observação é verbalizada: " ela não sente nada, nem vos reconhece". É verdade, mas nós conhecemo-la, nós sentimos por ela. E custa muita...
Morreu suavemente, sem dor aparente claro, morreu com quem mais gostava (a minha mãe) e morreu no seu leito, na sua fortaleza, com as suas mais valias. Ao INEM só restou a certidão de óbito e depois foi tratar dos procedimentos para o funeral!
Choramos o que nos foi permitido, choramos a agradecer tudo o que nos fez e nos ajudou (direta ou indiretamente), choramos a pedir desculpa, choramos porque sabemos que vai ser estranho olhar para aquela casa e não a ver, choramos porque nunca mais nos vai ligar para os telemóveis, nem vamos mais à cabeleireira pintar o seu cabelo. Choramos porque fez parte da nossa família, e nós fomos a família que teve.
Agora descansa em paz com o seu marido... é a lei da VIDA e para lá caminhamos todos!
Viveu Feliz, como sempre quis, dona do seu nariz!
A tia que não era tia, mas será sempre a TIA.
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