"Não existirá no coração feminino a lealdade que distingue os homens de bem dos ladrões? (...) as mulheres são seres infinitamente dissimulados: quando pensamos que as apanhamos, elas encontram sempre uma forma de escapar. E quando pensamos que se vão esgatanhar como gatas vadias, protegem-se e unem-se como irmãs".
(...) "As gentes demoram tanto tempo a esquecer o bem quanto a recordar o mal feito".
"Comandamos o mundo porque sabemos fingir tudo: que amamos quando sentimos asco, que não amamos quando ardemos em desejo, que temos prazer sem ter, que sofremos quando estamos a ser abusadas, mesmo que daí tiremos algum prazer. Conseguimos fazer crer que estamos prenhas sem estar, sabemos como nos livrar de filhos indesejados e fazer com que isso pareça um acidente, sabemos calar-nos quando a sensatez o manda e espalhar a intriga quando é de nosso proveito. (...) sabemos agradar tão bem quanto desprezar. Conhecemos as fraquezas dos homens e fazemo-nos de tontas perante eles para que os possamos manobrar melhor, como se manobra um boi no arado ou o cavalo montado.
Sabemos em que dia e emprenhar e como contar as luas para enganar quem pretendemos. E quando ficamos à espera de um filho, apenas nós sabemos quem é o pai. (...) Somos as grandes feiticeiras do mundo, as senhoras do poder mais forte que é o poder do desejo comandado pelo pecado da luxúria. (...) ninguém nos entende porque somos seres complexos, dúbios dissimulados. Somos MULHERES. "
Excerto: MINHA QUERIDA INÊS (Romance) de Margarida Rebelo Pinto
Excerto: MINHA QUERIDA INÊS (Romance) de Margarida Rebelo Pinto
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