Sempre fui negativa em relação ao álcool. Sempre me dei mal com o pessoal bêbado a cair aos poucos. Nunca gostei da bebida, nunca gostei do efeito dela, nunca precisei dela para me divertir. Nunca gostei das típicas respostas do género: "diverti-me muito ontem, apanhei uma farda". Nunca percebi o porquê.
Na passada madrugada de sexta-feira percebi. Uma ida ao São Paio, uma jantarada com amigos, uma sangria de champanhe. Em casa combinamos vir relativamente cedo, trazer uma amiga e tudo. O divertido é mesmo estar com os amigos, na tradição do jantar. Ainda por cima estava frio lá fora. Pouca gente até.
Mas não, a bebida fala mais alto e depois de uns copitos já não valia o combinado. A Eva tinha ficado com os avós e por isso ficou de fora de tudo isto. Sem grande discussão, falamos sobre isso e meia indignada já me estava a sujeitar a ficar lá até bem mais tarde, a ficar meia perdida, cheia de sono.
Sem perceber bem o porquê, ficou tão chateado comigo, agarrou-me o braço e dirigiu-se para o carro. A atitude foi deplorável mas não a única. Quis levar o carro, conduzir e acabou por "fugir" de uma operação stop... Não gostei!! Tremi, chorei, amuei...
No dia seguinte vieram as desculpas mas não chegaram. O álcool muda, torna-nos mais fortes, mais arrogantes, mais heróis ou donos disto tudo. Que pena tenho.
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