O meu pai estava a morrer e eu não conseguia aceitar. Os médicos tinham de estar enganados.
"Deixem-me ir em paz" dizia-nos ele muitas vezes.
Olhávamos para ele, em tempos tão belo, tão divertido, tão saudável. Que direito tínhamos de lhe pedir para se aguentar e sofrer?
A última coisa que lhe disse foi que tudo iria correr bem, que amanhã ele ia embora, e que o adorava. Ele assentiu com a cabeça. Passados 3 meses saí do yoga e entrei no meu carro... Já há meses que não sentia aquilo. Senti o cheiro a pladur. Senti-me a viajar até ao secundário quando ele me ia buscar à escola na carrinha. Senti tal e qual o cheiro dele, depois de um dia de trabalho. Agora escrevo isto e sorrio mas naquele momento chorei. Aquele cheiro é maravilhoso e por mim, posso senti-lo sempre. Sempre reparei naquele cheiro, sempre o associei a ele, sempre lhe dei valor. Não é mesmo um cheiro qualquer. É o cheiro do meu papy. Senti-o. Pensei que depois de vender as carrinhas iria perder isso. Hoje sei que não perdi. Continua e desejo muito que continue. Ou sou eu que estou sempre à procura de algo?
E o perfume, este perfume lá do céu a pladur.... ADORO*
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