Li num texto da Pipoca mais doce, que por sua vez também ouvia a frase na televisão que no dia da morte de um ente querido, este é o melhor dos piores dias.
"Também eu nunca tinha pensado nisto desta forma, “o melhor dos piores dias”, mas é isto. Quando se perde alguém, sobretudo desta forma, o choque funciona como uma espécie de anestesiante. Há a incredulidade, a negação, a dor também, claro, a espaços, mas é tudo tão inverosímil que não se consegue perceber, de imediato, a verdadeira dimensão da tragédia. E depois há as burocracias, a escolha de coisas que nunca pensámos ter de escolher, o conforto de muita gente à nossa volta, as conversas de circunstância, um corpo que dá uma falsa sensação de presença." Eu ainda me recordo de pensar: não quero que o dia do funeral acabe... enquanto isto durar, ele está ali!! Ainda está ali. De alguma forma, ainda está ali. E tudo isto distrai-nos, quase que parece que não é a nós que está a acontecer. Mas depois vem o depois. A chegada a casa, o fins-de-semana com a família incompleta, os aniversários, nossos e da restante família. Os nascimentos, os natais, as passagens de ano, páscoas, férias e até outros funerais (de pessoas mais velhas). A ausência insuportável, os ses, os porquês, a cabeça a dar voltas sem parar, o que é que podia ter sido diferente, o que é que podíamos ter feito de diferente. Se tivesse ido a Stª Rita a pé, até ao fim, algo mudaria? Se tivesse rezado mais, mudaria?
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